não sei exatamente como acontece mas tem dias que a gente não se basta. é como se me olhasse no espelho e ficasse procurando o resto de mim. refletida pela metade, sem muito valor de mercado. daí me toco pra ver se, de fato, ainda estou ali. e sinto falta de mim.
a falta é uma aranha na parede. tu diz que não tem medo mas é só ela fazer um movimento brusco e torna-se impossível não olhar. às vezes acordo tarde e fico olhando minha falta na parede. com muitas pernas e ainda mais olhos, me chamando pra uma sessão de godard sem pipoca. é sempre melancólico mas nunca triste. afinal, a vida é essa grande conjunção adversativa.
tem dias que a noite é foda.