peço desculpas aos meus amigos por não conseguir deixar de te amar. vou chegando de mansinho num estranho qualquer e rompendo uma conversa num ‘veja bem, eu tenho um amor não correspondido’. um amor que sangra, arranha a alma, me mata de frio.
eu tinha tudo, bem aqui dentro, e tinha a tua barba, roçando no meu rosto… tão perto, tão nosso, tão sentido, tão estranho, tão nunca-me-deixe-de-manhã. e aos poucos eu fui perdendo teus apelidos carinhosos, fui ficando chata pros meus amigos, fui enchendo o copo, empilhando os cigarros, calmantes, sufocando em marasmos de lágrimas de um cumprimento frio e distante daquele que deixava de ser o meu mendigo pessoal de sentimentos.
e então peguei as malas pra levar pro meu carro, e lembrei que eu não tinha carro. quis morar sozinha, e não tinha casa. quis correr pra longe, e não tinha pernas. só tinha tu e teus imensos olhos verdes que já não me ninavam mais no colo… e esse buraco negro que faz eu me irritar até com a janelinha do antivírus que de cinco em cinco minutos interrompe a minha escrita.
e amanhã tenho compromisso com o evento de correr atrás do nosso impasse sem solução. o amor próprio não foi convidado.